Sarcófago romano das Quatro Estações em exposição no Museu de Mérida


O sarcófago as Quatro Estações, à guarda do Museu Soares dos Reis, viajou para Espanha para integrar a exposição “Lusitânia Romana: Origem de Dois Povos/ Lusitania Romana: Orígen de Dos Pueblos”, inaugurada no passado dia 23 de Março, no Museu de Mérida.

Magnífica peça de escultura em mármore sacaróide, o sarcófago das Quatro Estações data da época romana (Séculos III-IV d.C.) e foi encontrado em 1840, no Monte da Azinheira (Reguengos-Évora) junto com um outro sarcófago sem decoração, tendo depois sido adquirido por Eduardo Allen, filho do coleccionador João Allen, para o Museu Municipal, cujo acervo viria a ser depositado no Museu Nacional de Soares dos Reis.
Tem uma das faces lisa e a outra em baixo relevo com figuras alegóricas que representam as quatro estações do ano e ao centro um medalhão circular onde supostamente está representada a pessoa a quem se destinava o túmulo.
Em volta do medalhão central estão representados os génios das estações, figuras aladas, uma junta de bois com um arado, um pastor a tocar flauta de pan, dois jovens a pisar uvas e muitos outros motivos.
A exposição “Lusitânia Romana: Origem de Dois Povos” apresenta duzentas peças de colecções portuguesas e espanholas e resulta de uma organização conjunta do Museo Nacional de Arte Romano de Mérida e o Museu Nacional de Arqueologia, com o apoio do Gobierno da Extremadura e a colaboração científica da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Com a apresentação no Museo de Mérida inicia-se um périplo de cerca de dois anos, durante os quais a exposição irá itinerar entre Mérida, o Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa e o Museo Arqueológico Nacional em Madrid.

Embora a saída de peças para exposições faça parte do quotidiano do Museu, a deslocação de uma peça em mármore com as dimensões deste sarcófago (64 x 194 cm, c. de 600 kg de peso) é sempre um acontecimento.

A decisão de ceder uma peça destas para uma exposição depende de uma análise prévia em que são identificadas todas as fragilidades da peça, as inerentes à sua forma e à natureza dos materiais, mas também as que decorrem dos danos ocorridos no curso da sua longa existência.
Saiba porquê.

A apresentação do sarcófago romano das Quatro Estações nesta exposição, que percorrerá três museus, projecta internacionalmente a peça, divulgando-a de um modo mais amplo e potenciando o seu estudo no confronto com outras peças suas congéneres. No final do próximo ano voltará a poder vê-lo, nessa altura já integrado no circuito de exposição permanente do Museu Soares dos Reis, entretanto, nada como uma visita ao Museu de Mérida para o ver junto de muitas outras peças que nos falam da vida na província criada pelo Imperador Augusto. 

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